sobre imaginação e fantasia

Sobre imaginação e fantasia

O poder de imaginar coisas que ainda não foram vivenciadas é considerado, por um lado, um aspecto fundamental do pensamento criativo e inteligente. Por outro lado este poder de imaginação é igualmente visto como uma capacidade um tanto quanto passiva e mecânica de organizar e ordenar as imagens do pensamento advindas de associação de memórias, com a ajuda da qual a mente pode fazer adaptações que mais parecem rotinas e, na pior, limitar-se a enganar a si mesma de modo que favoreça seu próprio prazer.

O livro, What Coleridge Thought (O que Coleridge pensou) de Owen Garfield expõe duas formas distintas de pensamento. A imaginação primária, que para ele é uma percepção criativa da mente e na qual as imagens são geralmente novas e originais, e não originárias da memória sobre a qual todas as diferenças e inúmeros recursos surgem harmoniosamente como aspectos ou partes de uma unidade.

No outro extremo, a fantasia que é uma interpretação envolvendo a junção de imagens separadas e distintas que já estavam disponíveis na memória. Isso inclui a associação de imagens rotineiras, passivas e ilusórias e uma grande variedade de formas mais ativas e inteligentes de pensar, começando por ações simples na rotina ou até invenções mais profundas em literatura, artes e ciências por exemplo.

Entre esses dois extremos – imaginação primária e fantasia – está uma grande variedade de possibilidades através das quais o pensamento se move. Mas não são separados e distintos, segundo Coleridge, são dois polos de pensamento.

Neste estudo, a imaginação pode ser considerada universalmente uma força que exibe toda a atividade mental por imagens mentais.

Uma nova percepção acontece através de uma inspiração e ou observação, e pode ser chamada de percepção criativa ou imaginação criativa. Esse acontecimento exerce um papel importante para que a mente possa aprender o significado do que foi criado em um momento de entendimento. A partir disso a mente pode continuar a pensar e raciocinar a respeito das consequências desta nova percepção.

E é ai que a fantasia imaginativa (ou imaginação construtiva ) começa a exercer um papel importante.

Percepção (imaginação criativa) e fantasia nunca estão separadas, mas operam distintamente. No entanto, cada ato de descoberta sempre contém ambos os lados, ligados de modo inseparável e relativo. Na verdade, um conteúdo tido a princípio como percepção passa pelo domínio da fantasia, e um conteúdo visto a princípio no domínio da fantasia pode ser uma pista importante para uma nova percepção. Percepção e fantasia chegam a ser reflexo uma da outra e são vistas como um movimento metal inteiro, mas em qualquer momento este movimento pode privilegiar um lado ou o outro.

A percepção criativa e original na ciência está definitivamente ligada não somente à formação de novos tipos de imagens mentais, mas também a novos tipos de percepção racional.

Na prática isso funciona no ato de perceber e observar o seu dia a dia. O cafezinho no bar da sua rua, a feira de domingo, o canto do passarinho….essas observações são um início de uma jornada imaginativa. Esta percepção extra é a matéria prima para a associação de memórias e novas formas de pensamento.

O inédito e o extravagante não está em Vênus ou em Marte, mas no exercício de “ver” além do que se manifesta diariamente.

 

Foto: Instalação Zoe Robertson

 

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