ciência e arte

As relações entre a ciência e a arte.

Para entender melhor como funciona as relações entre ciência e arte é preciso examinar as duas separadamente em relação a atividade humana. O ponto de partida é entender que o homem tem necessidade de assimilar toda a sua experiência, tanto no ambiente externo, quanto no seu ambiente psicologicamente interno. As experiências não digeridas podem atuar na mente como um vírus, produzindo um estado de desarmonia e conflito que tende a destruir a mente.

Não importa se a discussão é sobre alimentação, ambiente social, ideias ou sentimentos, a assimilação é sempre aquilo que acontece de forma harmônica. E isso não é de hoje, desde os tempos primitivos também era assim. O entrelaçamento da ciência, as artes e a religião formavam uma unidade inseparável e era o principal meio que a assimilação acontecia.

A ciência se preocupava não só com questões práticas sobre como integrar a natureza às necessidades físicas do homem, mas também com a necessidade psicológica de entender o Universo, para que o homem pudesse se sentir mais confortável neste espaço. Os primeiros mitos da criação, que eram tão científicos quanto religiosos em seus objetivos, tinham essa função.

A arte, por sua vez, ajudou o homem a integrar os aspectos imediatamente perceptivos da experiência a uma estrutura completa de harmonia e beleza. É evidente que a maneira pela qual o ser humano percebe, por meio dos seus sentidos, psicologicamente falando, é a expressão de como ele é de fato.

O artista não somente tinha de observar a natureza com objetividade, mas também tinha uma sensibilidade incomum com relação à beleza das formas e às estruturas da natureza. Ao expressar sua percepção em objetos criados artisticamente, ele também ajudou outras pessoas a desenvolver uma observação mais sensível. Isso ocorreu, por exemplo, na arquitetura, decoração, que ajudou o homem a criar um ambiente físico integrado a uma estrutura harmoniosa de percepções e sentimentos.

Mesmo observando essa  relação entre ciência e arte não é possível entender 100% sem falar de religião.

A religião tem como preocupação central a questão de abranger toda a vida, todos os relacionamentos, como uma totalidade. E a ensinar um tipo de auto-conhecimento, visando auxiliar o homem a ser inteiro e ter harmonia em todas as fases da vida.

Como vimos no decorrer da história o homem não conseguiu assimilar esse conhecimento em harmonia por completo. A ciência acabou gerando resultados destrutivos, como guerras, escravidão e genocídios. A religião tornou-se um meio de apoiar a ordem estabelecida da sociedade contra a tendência natural de transformação. Neste sentido a arte sempre esteve misturada com a religião, com finalidade de garantir aspectos ilusórios aos passar um falso ar de realidade e materialidade, na forma de imagens e símbolos de deuses e forças sobrenaturais elaboradas e belas. E as ideias científicas eram restritas e distorcidas para não perturbar a mitologia religiosa predominante.

Nos tempos modernos, as funções da ciência, da arte e da religião tem se tornado fragmentadas e confusas. A ciência teve um desenvolvimento técnico gigantesco, mas se separou quase completamente do papel de auxiliar o homem a assimilar psicologicamente seu universo de reagir e sentir-se bem no interior de sua beleza. Muitos artistas tem se conectado a esta visão expressos em cultura (incluindo arte, literatura, música, drama e assim por diante) como um campo mais conectado ao prazer, entusiasmo, entretenimento e satisfação pessoal, diferente de questões como: fatos, lógica e coerência, que tem grande importância para o cientista.

A ciência e a arte tem assumido algumas das funções da religião, mas de forma confusa até agora. A ciência da psicologia visa a um tipo de autoconhecimento, levando uma pessoa tentar se ajustar a sociedade de forma útil e lucrativa.

A crise esencial do homem hoje é seu sentimento de fragmentação da existência, que o leva a se sentir um estrangeiro em uma sociedade que ele mesmo criou e que não compreende.

Assim, ele não consegue integrar sua experiência em uma totalidade considerada bela, harmoniosa e significativa.

 

Imagem: A Anunciação de Leonardo da Vinci – 1472–1475

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