Previsões de futuro

A Idade da Mudança.

Já estamos enfrentando um momento de grande transformação e indicações de uma convergência consciente entre arte, “design” e tecnologia.

Todo inicio de ano a busca é por previsões, em todas as áreas da vida. A Arte é sem dúvida o melhor universo para se mergulhar em qualquer cultura e sociedade, projeta os indivíduos para o futuro e sempre nos dá pistas para onde a humanidade está caminhando.

Mas como a Arte, o “Design” e a Tecnologia se convergem para nos mostrar esses caminhos?

Vamos voltar ao passado por um instante. No Período Paleolítico, as manifestações rupestres eram a arte do mundo e as ferramentas tecnológicas que os homens primitivos tinham disponíveis eram simples e rústicas pedras.

Muito tempo depois, as ferramentas de escultura usadas por Michelangelo não eram tão distintas das do Período Paleolítico. Michelangelo dizia: “eu não crio escultura, eu deixo que a forma apareça dos blocos de mármore”. E saber que ele criou tudo isso com uma limitada tecnologia e se tornou um dos maiores escultores de toda a história.

Outra peça extremamente importante que convergia Arte, “design” e Tecnologia foi a criação da impressora de Johannes Gutenberg na metade do século 15. Essa brilhante invenção ajudou a disseminar o conhecimento fora da igreja para qualquer pessoa, contribuindo em muito a criação da classe média, o surgimento da literatura, dando acesso à leitura através da cópia de milhares de livros e jornais.

A outra invenção bem importante para a humanidade foi a nossa tão querida fotografia na metade do século 19. Não é coincidência que quando chegou a máquina fotográfica a pintura ficou menos realista. Pintores como Monet estavam consagrando o Movimento Impressionista na época. Não tínhamos mais pintores refletindo o mundo como ele era pois agora tinhamos a fotografia que fazia melhor. Como os impressionistas e expressionistas diziam, “Nós pintamos a luz”. Uma série de artistas ficaram livres para mergulhar em um abstracionismo e retratar uma consciência do estado de ser, tudo por conta da invenção da máquina fotográfica.

E dentre muitas outras inveções temos um destaque também para o gravador. Gravação de música, voz e som, que foi possível disseminar um conteúdo sonoro e que até então a única maneira de se ouvir música era em frente ao artista.

Entrando no século 20 e destacando o Cubismo como o Movimento que aconteceu na época da industrialização e da Guerra, sendo o motor de combustão interno de muitos artistas deste período. O surgimento dos aviões, por exemplo, fez com que saíssemos de uma mentalidade rural, onde as coisas eram possíveis, previsíveis e sazonais para uma consciência mais fragmentada, o que exatamente o Cubismo retratava em sua linguagem.

Mas foi no século 20 que aconteceu o “boom” do “design” industrial, criando conceitos e desenvolvendo produtos para serem consumidos em larga escala. Todos os bens duráveis criados para as casas de classe média industrial, carros, meios de transportes, cidades sendo erguidas em um movimento rápido, nunca visto antes. E o surgimento da Bauhaus que foi a escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda na Alemanha, mais importante do século 20. Uma das maiores expressões do que é chamado Modernismo no design e na arquitetura. Agora temos arte e “design” criando com a tecnologia.

A obra do artista Andy Warhol, fez dele um grande vidente do mundo atual. Nós vivemos hoje no mundo de Andy Warhol. “Todo mundo no futuro será famoso por 15 min.” Disse Andy em uma de suas mais famosas frases. Seu trabalho consagrou o mundo das celebridades quando pintou a lata da sopa Campbell’s em um momento que o Mercado de arte estava abraçando o Expressionismo Abstrato. Isso não seria arte, seria branding? Ou o branding da arte?

Pense na roupa que você veste hoje. Em tudo o que usa. Sua máquina de café, sua TV, seu celular, onde você come e o que você come. É o mundo encantado das marcas, é o mundo de Warhol. Nós vivemos uma era de “labels”, celebridades e”selfies”, uma era de imagens que configuram o que você representa visualmente.

Sintetizamos assim:

Século 20th – cerebro esquerdo – matemática, lógica.

Século 21th – cerebro direito – “design”, criatividade, intuição.

O que fazíamos no século 20 era ciência. Criamos a bomba atômica e o computador. Nós povoamos o planeta. No século 21  a tendência é da junção entre o “design”, criatividade, redesenhando tudo o que será preciso para uma nova ERA.

Pense na palavra inovação. O que precede a inovação é o pensamento criativo e o “design”. Então inovação nada mais é do que a introdução do “design” e da criatividade no ambiente cotidiano, no trabalho e na vida das pessoas.

Mas então qual é a previsão para os próximos anos? A nossa casa é essa espaçonave que chamamos de Terra. A humanidade já está enfrentando uma série de problemas e questões que precisam de soluções imediatas. Algumas relacionadas a mudança climática e ao lixo. Segundo Marshall McLuhan, desde 1970 nós temos usado os recursos da terra equivalentes a mais de 1 terra por ano. E se vivessemos o estilo de vida americano iria ser necessário 5 terras por ano para bancar essa vida. Então já estamos no alerta vermelho.

Como vamos suprir as necessidades da terra? Como fazemos isso? No centro destas lutas e outras está o “design”. É necessário redesenhar a forma como vivemos, a nossa cultura e de tudo o que se consome. É preciso abrir mão de algumas coisas e mudar a forma como se percebe o mundo. Materialismo x Experiência.

O design será a grande profissão do século 21 somado ao processo intuitivo e conceitual das artes e a precisão da tecnologia. Esses serão os novos agentes de transformação que irão ajudar de fato na mudança que acreditamos no mundo. Por isso é necessário que se crie uma consciência de tripulação e não de passageiro para esta nave mãe que chamamos de Terra.

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