Neurodesign a anatomia emocional como ferramenta de auto-conhecimento

Neurodesign, a anatomia emocional como ferramenta de auto-conhecimento.

A maioria de nossas decisões e ações vêm do nosso inconsciente. No nosso trabalho na RED studios sempre houve uma necessidade e um forte desejo de entender como tudo isso funciona dentro do cérebro humano e o que nos faz fazer coisas que fazemos. Há muito anos algumas empresas tem usado o “neurodesign” para desenvolver produtos, e outras simplesmente fazem isso intuitivamente. O mais interessante deste estudo é entender que tudo passa pela emoção. A maioria dos casos de sucesso, vieram do fundo do peito, de um coração pulsante e de uma raça em fazer acontecer. Podemos estudar e conhecer mais a nós mesmos e amplificar a sensibilidade que está faltando em tantos processos e áreas.

O campo recém-nascido de “neurodesign” agora tenta dar respostas a essas e mais perguntas, explorando nosso conhecimento sobre o funcionamento do cérebro humano para o desenho de produtos e serviços mais eficazes. Nas últimas décadas, a neurociência cognitiva fez grandes progressos no estudo da mente humana e dos princípios que concorrem para determinar nosso comportamento. Não surpreendentemente, este conhecimento se espalhou rapidamente para muitos outros campos de estudo, desde a economia à engenharia e marketing, levando a novas disciplinas da marca, como neuroeconomia e neuromarketing. A idéia principal em apoio a esta tendência é que, sempre que há um usuário humano que interage com um produto, serviço ou objeto, é vital entender como seu cérebro responde a tais situações. Isso nos ajuda a criar interações e experiências melhores e mais intuitivas. Neurociência agora mostra algo que alguns designers intuitivos, engenheiros de produtos e comerciantes têm percebido há muito tempo. Ou seja, perguntar ao usuário / consumidor sobre suas opiniões ou idéias sobre um produto é muitas vezes enganosa.

Alguns aspectos em “neurodesign” que já estão sendo usados por ai.

As pessoas fazem o que os outros estão fazendo. A necessidade de se encaixar e pertencer está ligada à nossa biologia. Chama-se validação social. Olhamos para os outros para ver como se comportar e fazemos isso inconscientemente. Isto é especialmente verdadeiro quando estamos incertos sobre o que fazer e que atitude tomar some alguma coisa.

As pessoas terão maior probabilidade de usar um produto se tiver validação social. Ou seja, inconscientemente elas confiam em grupos dominantes e ou na marca e sentem que usando determinado produto, elas simplesmente pertencerão a algo.

Você sabia que dar um presente desencadeia um endividamento? Pensa no Natal!!! Muitas vezes damos presentes ou favores por um senso de obrigação. Se você receber um presente, você vai querer dar um presente em troca. Por quê? Porque você terá um sentimento de endividamento que você quer se livrar. Este sentimento é inconsciente. É chamado de reciprocidade.

Isso pode ser validado nas dezenas de e-books, cursos e palestras gratuitos que são distribuídos pela internet a fim de desencadear uma sensação de endividamento e assim ganhar um cliente leal. Informações valiosas gratuitas também podem ser tratadas como um presente – você pode usar um blog de produto para compartilhar um conteúdo de qualidade e ganhar 10.000 seguidores.

Segundo nosso cérebro reptiliano, a escassez nos motiva a agir. Se há uma disponibilidade limitada de algo – pensamos que é mais valioso e torna-se mais desejável. Ao mostrar quantidade limitada em estoque ou prazo limitado, estamos motivados a agir. Se algo é totalmente inacessível ou proibido – nós realmente queremos.

Muita opção também não é bom e acabamos por ir embora sem levar nada. Nós pensamos que ter muitas opções é sempre bom, mas na realidade impedem nosso processo de tomada de decisão. Muitas opções vão agarrar a nossa atenção, mas as chances são de que não vamos comprar tudo. E se tivermos muitas opções para escolher – geralmente escolhemos a primeira. Por isso que em alguns restaurantes vemos a “escolha do chef” ou o “prato do dia”, e em tantos sites de e-commerce tem o que os clientes mais compram. Isso tudo induz a escolha.

O seu cérebro se preocupa com você. É tudo sobre sobrevivência. Se você quer chamar a atenção de alguém, você pode chamar a atenção do cérebro usando a palavra VOCÊ. Por isso escolha uma linguagem mais próxima e use mais você.

Doses homeopáticas. Peça a alguém para se comprometer com algo pequeno primeiro, então será mais fácil obter um compromisso maior e mais duradouro. Por isso vá com calma, não peça mil cadastros para seu cliente. Vá aos poucos construindo essa relação. 

O medo de perder nos motiva mais do que a oportunidade de vencer. Nosso cérebro reage rapidamente a escolhas e reduz nossas alternativas baseadas em minimizar a perda. Temos mais medo de perder o que já temos. Como é usado isso? Com versões de degustação premium. O usuário testa por um período, se adapta e como pode perder acaba consumindo o produtos.

Estamos programados para pensar em histórias. Se você quer chamar a atenção de alguém – conte uma história. A maior parte da comunicação que fazemos todos os dias está na forma de uma história. As histórias permitem que a gente quebre eventos em partes menores para compreender melhor a informação. História também nos permite sentir o que o personagem na história sente. Estamos vivendo a ERA do video e de storytelling. Isso é uma forma de criar narrativas visuais para que nossos clientes recebam as informações mais mastigadas e portanto consigam interagir mais com elas.

Imagens como verbo. Prestamos atenção e nos lembramos melhor quando existem imagens. Este é óbvio, mas ainda vale a pena mencionar. As imagens são o conteúdo principal de nossos pensamentos e o coração de todo o trabalho que fazemos aqui da RED studios. Quando lemos, estamos realmente processando imagens. Quebramos palavras em letras e letras em padrões e formas. Processamos essas formas no cérebro, depois processamos o significado das palavras e finalmente transformamos as palavras em imagens. UFA! Só a palavra leite acontece tudo isso. Por isso é tão importante entender visualmente o que você fala ou transmite em seus conceitos. Se o que você fala ou escreve não condiz com a imagem que você envia para o mundo, isso dá ruído e muitas vezes você não consegue o resultado desejado. E a maioria das pessoas não sabe detectar onde está o problema e nunca acha que a culpa são de imagens mal escolhidas.

Estamos programados para ser social. Esta construído em nossos cérebros uma conexão para vivermos juntos com os outros. A história mostra que qualquer tecnologia que existe, as pessoas sempre encontram uma maneira de usá-la para se comunicar e torná-la social.  Pense agora no seu produto ou serviço se ele conecta as pessoas, e de que forma.

Muito do que falamos aqui já esta acontecendo, o que é novo é a consciência sobre como usamos a informação de outras formas e mais relevantes. O sentimento é de que o uso da neurociência nos trás a cima de tudo um forte desejo de um auto-conhecimento e uma anatomia emocional. Só assim podemos desenvolver ferramentas poderosas para viver melhor com nós mesmos e com os outros.

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