Memória e lembrança, emoções e rituais.

Memória e lembrança, emoções e rituais.

Memória e lembrança, emoções e rituais estão intimamente interligadas. Rituais são práticas sociais importantes durante os quais emoções são registradas na memória com o intuito de torná-las memoráveis. A memória só é parcialmente acessível à lembrança. Ambas são seletivas. Mas é certo que nós não somos aptos a decidir livremente o que fica gravado na nossa memória. O esquecimento desempenha um papel fundamental para a memória.

Aquilo que lembramos ou esquecemos está diretamente conectado ao ambiente e as relações sociais. Memórias são geradas pela interação com outras pessoas, lugares ou produtos culturais.

Pesquisas mostram que este processo começa na primeira infância, na qual várias percepções inconscientes estão contidas, bem como a “memória perceptiva”, que guarda a nossa percepção sobre o contexto que vivemos. A “memória semântica” que contém o conhecimento disponível aprendido, e a “memória autobiográfica”, que permite às pessoas distinguir a si mesmas dos animais se reconhecendo no meio.

Memórias são construções da nossa consciência. Autolembrança é uma memória que lembra de um evento passado que não é idêntica ao evento. Exemplo: quando estamos tristes, a memória de um evento passado é influenciada pelo presente.

Sartre apontou que imagens da memória e projeções futuras são diferentes de imagens perceptivas. As perceptivas aparecem para nós como mais reais. As primeiras não são tão reais mas podem ser retidas por nós com a ajuda da nossa imaginação antes que mudem ou desapareçam.

Aquilo que o indivíduo rememora não depende somente dele. Depende da cultura, comunidade e sociedade na qual ele vive. Memórias coletivas e imaginações criam comunidades. Comunidades se desenvolvem através de rituais e por meio de emoções neles criadas. Quando trocamos essas memórias uns com os outros, nos sentimos parte de uma comunidade que é distinta de outras comunidades. A memória desses eventos é mantida viva através da repetição dessas histórias, performances sociais, imagens e emoções.

Rituais desempenham um papel central na criação de comunidades. Como rituais religiosos, ritos de passagem como casamentos, nascimento, morte, até interações ritualísticos cotidianas fazem parte.

Rituais estão entre as formas mais efetivas para criar, circular e ensinar emoções. Podemos pensar nos rituais como práticas nas quais performances do corpo humano desempenham um papel central na criação e formação das emoções. Emoções de pertencimento e união são geradas pelos rituais.

No contexto atual social, estamos em tempo de conflito com a visão de que rituais tornaram-se supérfluos, e poderiam ser substituídos por outras práticas sociais.

Hoje, assim como em tempos primitivos, a vida em comunidade é impossível sem rituais e seus sentimentos relacionados. Rituais e emoções são produtos históricos e culturais.

 

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