espiritualidade nos negocios

Espiritualidade nos negócios. Como mudar o mindset?

A grande busca do ser humano sempre foi por obter uma explicação para a sua origem e uma visão de mundo que orientasse sua ações, sua espiritualidade.

Um grande salto foi dado, no Ocidente, a época chamada iluminista, quando se aplicou a visão que aflorava do domínio da tecnologia, a chamada Revolução Industrial. O mundo foi estabelecido como uma grande máquina. Uma máquina que se pode descrever, quantificar, calcular, se possível controlar. É daí que emerge o chamado pensamento mecanicista cartesiano, codificado sobretudo por Newton e Descartes. Deixando de lado o que entenderemos como valores humanos e espiritualidade.

Cada vez mais estamos nos dando conta de que temos criado culturas e civilizações que contradizem frontalmente os princípios que os fizeram emergir. Criamos um mundo antagônico ao que nos propúnhamos. Hoje estamos pondo em risco até mesmo a sobrevivência da espécie humana na sequência de milhares, ou mesmo milhões de outras espécies que estão se extinguindo no planeta em função de nossas ações.

No mundo empresarial, dos negócios, tornou-se absolutamente predominante a competição desenfreada. No desejo de criar máquinas cada vez mais complexas e de desenvolver teorias de administração das organizações que daí emergiam pelo crescimento econômico, também os indivíduos humanos passam a ser classificados e quantificados segundo sua utilidade para o bom êxito da máquina empresarial, seja como mão de obra que “serve não serve” para a produção, seja como consumidor a ser seduzido à busca de um bem-estar fantasioso.

Dentro deste mundo caotico, eis que emerge os sintomas de uma nova consciência, mais livre e independente.

No meio científico – dominado pelas visões mecanicistas, cartesianas, materialistas – vem surgindo um novo questionamento e propostas que estão mudando esta forma de pensar dualista.

A Sloan School of Management do MIT (Massachusetts Institute of Technology) donde emerge Peter Senge que juntos com outros pesquisadores escreve o livro “Presença – Propósito Humano e o Campo do Futuro”, buscam novas formas de aprendizado, mais em sintonia com a dinâmica da vida e da natureza. E desta abertura de visão, tendo o pensamento sistêmico como fundamento, busca novas formas de convivência humana e de administração das organizações públicas e empresariais.

O livro conecta métodos orientais de meditação com a metodologia científica ocidental. O conceito do Presencing foi depois aprofundado por Otto Schirmer, um dos coautores do livro. Sua teoria U se transforma numa verdadeira metodologia científica. Parte do princípio de aceitar a realidade tal qual é e deixar a mente livre para mergulhar no Eu profundo, que é a fonte de toda a sabedoria, para daí deixar emergir o futuro.

É uma jornada de deixar ir do passado para deixar vir nossa mais elevada possibilidade futura. Nosso EU estabelece uma sutil conexão com a Fonte mais profunda de conhecimento, no Aqui-Agora. Uma vez atravessando este limite, nada permanece o mesmo.

Eckhart Tolle fala bem disso no livro “O poder do agora”.

Quando líderes desenvolvem a capacidade de se aproximar desta Fonte, é a experiência do “presenciar”. Esta experiência geralmente traz consigo ideias para enfrentar os desafios e trazer à existência um futuro que, de outra forma, seria impossível.

A Teoria U mostra como essa capacidade de presenciar pode ser desenvolvida. Pessoas que passem pela experiência de vivenciar este Presencing e acessar este EU profundo certamente irão descobrir expressivas potencialidades capazes de fazer emergir opções novas surpreendentes e mais coerentes com as reais necessidades do grupo, da empresa e dos clientes a quem possa servir.

O mundo dos negócios passa por uma crise de sustentabilidade. Suas atitudes e práticas atuais, centradas apenas no dinheiro, estão devastando o meio ambiente, criando desigualdade, conduzindo uma crise de liderança nas empresas e destruindo a saúde a o moral das pessoas.

Espiritualidade nos negócios significa simplesmente trabalhar com um sentido mais profundo de significado e propósito na comunidade e no mundo, tendo uma perspectiva mais ampla, inspirando seus funcionários. Nós não sabemos mais o que é vida e nem o jogo que jogamos. Falta um sentido mais profundo de objetivos e valores fundamentais. Essa crise de significado é a causa principal do estresse na vida moderna e das doenças.

A busca de sentido é a principal motivação do ser humano. Quando essa necessidade deixa de ser satisfeita, a vida nos parece vazia.

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