arte abstrata

A arte entre a ciência e a arte abstrata.

O biólogo molecular e neurocientista, Eric Kandel premiado com o Prêmio Nobel – explora o paralelo entre as técnicas usadas por artistas e pelos cientistas em seu livro, Reductionism in Art and Brain Science: Bridging the Two Cultures. Será que existe uma ciência na arte abstrata e um processo de arte na ciência?

Ele escreveu sobre a interação entre ciência e arte em seu magnífico  livro The Age of Insight em sua busca para entender o inconsciente na arte, na mente e no cérebro, entre o período de 1900 até os dias de hoje.

Kandel examina brilhantemente o papel da arte abstrata como meio de superar a divisão entre a ciência e as artes.

Ele diz que esta ponte o ajuda a entender a mente humana em todas as suas complexidades e a criatividade. Estudar a biologia da resposta de um espectador a uma obra de arte pode produzir insights humanistas não só na composição biológica da mente do espectador, mas também nas implicações culturais e psicológicas das obras de arte.

Além disso, artistas como cientistas, muitas vezes experimentam diferentes abordagens para alcançar seu objetivo.

Desta forma os artistas visuais costumam empregar metodologias que são surpreendentemente semelhantes às utilizadas pelos cientistas.

Kandel se concentra na arte abstrata porque é uma expressão altamente adequada para a exploração científica.

Em uma entrevista ao Wall Street Journal, Kandel explicou a conexão entre arte abstrata e neurociência. Para entender um problema complexo é preciso selecionar o componente central, para que você possa estudar em profundidade.

Na pintura abstrata, os elementos são incluídos não como reproduções visuais de objetos, mas como referências ou pistas sobre como conceitualizamos objetos.

Ao descrever o mundo que vêem, os artistas abstratos ampliam muitos dos blocos de construção do processamento visual, eliminando a perspectiva e a descrição holística.

Assim, o motivo pelo qual a arte abstrata representa um enorme desafio para o espectador é que nos ensina a olhar para a arte – e, em certo sentido, para o mundo – de uma nova maneira.

A arte abstrata se atreve a interpretar uma imagem que é fundamentalmente diferente do tipo de imagem que o nosso cérebro produz. Em outras palavras, a arte abstrata pede ao espectador que seja criativo.

Examinar a arte moderna através da nova ciência biológica da mente fornece uma compreensão mais profunda do que nos torna quem somos.

O livro é lindamente escrito, ricamente ilustrado com diagramas do cérebro e imagens de obras de arte. É certo que abre uma porta de diálogo significativo entre as ciências e as humanidades.

Para aqueles não gostam da arte abstrata, convido você a ler este livro e dar uma segunda chance.

Reductionism in Art and Brain Science: Bridging the Two Cultures
by Eric R. Kandel

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